A energia afeta o laboratório dos Açores

12 out. 2026

A energia afeta o laboratório dos Açores

Paulo Moita de Macedo, presidente da Comissão Executiva da CGD, no Encontro Fora da Caixa realizado em Ponta Delgada.

FOTO: Eduardo Branquinho

 

O arquipélago não deve ser encarado como um território pequeno, periférico e oneroso, mas como um ativo estratégico.

A incerteza deixou de ser um fenómeno conjuntural para se tornar uma característica estrutural da economia, defendeu Paulo Moita de Macedo, presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, no Encontro Fora da Caixa, em Ponta Delgada que se realizou esta terça-feira no Grand Hotel Açores Atlântico, tendo como tema “Capital Portuguesa da Cultura 2026: Quando a Cultura Gera Valor”, e o Correio da Manhã como media partner.

Para Paulo Moita de Macedo, as empresas e as organizações estão hoje confrontadas com três grandes revoluções: a tecnológica, com a IA; a política, com a emergência do iliberalismo; e a geopolítica, com o fim da hegemonia dos Estados Unidos e a emergência da China. Estas mutações estão a alterar profundamente as regras do jogo, com impacto nas decisões de investimento, nos recursos humanos e nas cadeias de abastecimento, entre outras.

A primeira é a revolução da inteligência artificial, com um potencial ainda difícil de medir. “Todos discutimos que efeitos é que poderá ter e se o mundo vai durar mais 10 anos ou se, pelo contrário, vai aumentar a produtividade e servir a humanidade de uma maneira sem precedentes”, afirma Paulo Moita de Macedo. Acrescenta que “quem mais investe em inteligência artificial no mundo inteiro são os Estados Unidos. Em segundo lugar está a China e só em terceiro lugar a Europa. Quem tem mais regulação, em primeiro lugar, é a Europa e só depois os outros dois, que investem mais”.

A segunda é a ascensão do iliberalismo e o recuo dos valores liberais e democráticos em várias geografias, “com países com traços de autocracia”. A terceira é o fim da hegemonia americana e a emergência de uma nova configuração das relações internacionais, marcada pelo peso crescente da China. São “três fatores, um tecnológico, um político e aqui um em termos de relacionamento, de relações internacionais”, resume.

 

Anos 20 do século XXI

Para Paulo Moita de Macedo, este contexto remete-nos dos anos 20 do século XXI para os anos 20 do século XX, “quando também tivemos uma grande revolução com a produção e difusão do carro em série, o crescimento das autocracias e um império que se tentava defender”.

 

 

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