Burocracia é maior obstáculo ao financiamento da transição energética
13 jul. 2026
Mais de 64% das empresas apontam o "excesso de burocracia" como maior obstáculo de acesso ao financiamento da transição energética em Portugal, segundo o estudo "Modelos de Financiamento de Transição Energética", desenvolvido pelo RAISE.O estudo, que envolveu 100 entidades de vários setores e dimensões, conclui que a transição energética é uma prioridade para mais de 80% das organizações, embora apenas 69% tenham realizado investimentos efetivos nos últimos três anos, de acordo com o estudo divulgado hoje. De acordo com o RAISE - projeto cofinanciado pelo programa LIFE-CET da Comissão Europeia - esta diferença é particularmente visível em microempresas e entidades sem fins lucrativos, "que enfrentam maiores dificuldades por limitações de escala e recurso". O capital próprio continua a ser a principal fonte de financiamento, sendo utilizado por 81% das entidades, sobretudo em projetos de pequena escala, inferiores a 50 mil euros. Ainda assim, o estudo identifica uma tendência futura para a diversificação das fontes de financiamento, com maior interesse em linhas de crédito dedicadas e fundos públicos. As áreas tradicionais de investimento, como eficiência energética, energias renováveis e mobilidade elétrica, começam a ser acompanhadas por tecnologias emergentes, incluindo armazenamento de energia e digitalização. No futuro, 71% das entidades admitem investir em pelo menos três áreas da transição energética. Além do excesso de burocracia, referido por 64% das entidades, a morosidade na aprovação de projetos, apontada por 51%, surge entre os principais entraves ao investimento. O estudo identifica ainda um "acentuado défice de literacia de fontes de financiamento alternativas, dado que 74% das entidades desconhecem, ou não utilizam, opções de financiamento alternativas, como modelos ESCO, comunidades de energia renovável ou crowdfunding".
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