Estudo português mostra que rochas profundas podem funcionar como uma bateria gigante para energia renovável

21 set. 2026

Estudo português mostra que rochas profundas podem funcionar como uma bateria gigante para energia renovável

Investigadores da NOVA FCT e do Instituto Dom Luiz estimam que reservatórios porosos possam guardar até 1 TWh sob a forma de ar comprimido. Em Portugal, a tecnologia esbarra na falta de legislação e só chegaria dentro de 5 a 10 anos.

Investigadores da NOVA FCT e do Instituto Dom Luiz, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, publicaram na revista científica Geoenergy um estudo que aponta as rochas porosas em profundidade como candidatas ao armazenamento de energia renovável em larga escala. No cenário mais favorável, um único reservatório poderá guardar cerca de 1 terawatt-hora (TWh), o suficiente para abastecer centenas de milhares de habitações.

A tecnologia chama-se armazenamento de energia por ar comprimido em meios porosos. Os excedentes de eletricidade renovável servem para comprimir ar atmosférico, que é injetado num reservatório geológico profundo. Quando é preciso produzir eletricidade, o ar é libertado e aciona turbinas. Como só usa ar, evita os riscos associados ao armazenamento subterrâneo de hidrogénio ou de dióxido de carbono. O ar ocupa os espaços entre os grãos de rocha, normalmente preenchidos por água salgada não potável, que acaba deslocada.

Este é o primeiro estudo integrado que cruza critérios geológicos e termodinâmicos para avaliar este potencial e o primeiro a analisar de forma sistemática o efeito da profundidade. À medida que esta aumenta, variam em simultâneo a pressão e a temperatura, o que condiciona a energia que se consegue guardar. “As rochas irão funcionar como uma gigante bateria debaixo dos nossos pés“, resume Ricardo Pereira, investigador do GeoBioTec.

Quanto mais fundo o reservatório, mais energia pode ser libertada. Segundo o artigo, o melhor resultado surge num sistema adiabático-isobárico a 3.000 metros de profundidade, com uma densidade de até 156 kWh por metro cúbico e capacidade de 1 TWh. Ricardo Pereira sublinha que este é o máximo teórico, obtido na simulação de um único reservatório em condições ótimas, mas lembra que o valor se aproxima do consumo de algumas cidades médias portuguesas.

 

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