FMI contra impostos sobre lucros inesperados na energia
21 abr. 2026
Alfred Kammer considera que quando se cria a expectativa de que sempre que houver este tipo de choque há um imposto, "os investidores terão isso em conta nas suas decisões de investimento e torna-se altamente distorcido"O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomenda que não se apliquem impostos sobre lucros inesperados na energia, como Portugal quer, já que impacta as decisões de investimento e tem uma implementação complexa, disse Alfred Kammer, em entrevista à Lusa. O diretor do Departamento da Europa do FMI defendeu que a oposição a esta medida se deve à experiência, sendo que esta já foi aplicada anteriormente após a subida de preços verificada no seguimento da invasão da Ucrânia pela Rússia. O conflito no Médio Oriente voltou a trazer uma subida de preços, focada principalmente nos combustíveis, e Portugal, em conjunto com Alemanha, Espanha, Itália e Áustria, avançou com um pedido à Comissão Europeia para a criação, ao nível da União Europeia, de um imposto sobre os lucros extraordinários das energéticas, semelhante às medidas para conter a crise energética de 2022. Para Alfred Kammer, quando se cria a expectativa de que sempre que houver este tipo de choque há um imposto, "os investidores terão isso em conta nas suas decisões de investimento e torna-se altamente distorcido".
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