IA sedenta de água e energia ‘pede’ transparência, eficiência e expansão de infraestrutura

18 ago. 2026

IA sedenta de água e energia ‘pede’ transparência, eficiência e expansão de infraestrutura

O consumo elevado de energia e água que a inteligência artificial exige está na base de preocupações ambientais. Perceba quais e as possíveis soluções.

 

A inteligência artificial (IA) tem entusiasmado cidadãos e empresas com as suas potencialidades. Contudo, no reverso da moeda, contam-se impactos ambientais relevantes, decorrentes do elevado uso de energia e água. Mais transparência no reporte, aceleração na expansão de redes elétricas e energia renovável, assim como a aposta em eficiência e em usos compatíveis com a transição verde são algumas das soluções apresentadas para colmatar estes riscos ambientais.

“Com a evolução e difusão da Inteligência Artificial Generativa, levantam-se uma série de questões ambientais, com foco principal na utilização de energia e de água para suportar as infraestruturas globais de data centers”, introduz Inês Faria, especialista em Conhecimento e Formação do BCSD Portugal. “A IA está a transformar a forma como vivemos e trabalhamos, mas essa evolução tem um custo ambiental que não pode ser ignorado”, reconhece, ainda, a Bandora, uma empresa portuguesa que desenvolve soluções de inteligência artificial para edifícios.

Emprestando números concretos ao problema, Pedro Miranda, fundador e CEO da Youdera, aponta que a pegada de carbono dos sistemas de IA era estimada entre 32,6 e 79,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono em 2025 — aproximadamente o mesmo que a cidade de Nova Iorque naquele ano –, enquanto a pegada hídrica se estimava estar entre 312,5 e 764,6 mil milhões de litros. Neste último caso, o consumo é o equivalente ao consumo global anual de água engarrafada.

Para já, o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD) mostra-se otimista: “O ponto de equilíbrio [no uso de IA] será um conjunto de decisões que ainda estamos a tempo de tomar”.

 

Energia fóssil chamada a contribuir

A Nordea aponta que a corrida à inteligência artificial “transformou-se silenciosamente em algo mais fundamental: uma corrida pela energia”.

Para ilustrar o volume de eletricidade requerido pelos centros de dados, o BCSD indica que fazer uma pergunta ao GPT-4o consome 40% mais energia do que uma pesquisa no Google. Hoje em dia, estes centros já consomem aproximadamente a mesma quantidade de eletricidade que a Alemanha e, até 2030, deverão consumir o dobro desse volume, aponta a Nordea Asset Management (AM), na voz de Thomas Sørensen, gestor encarregue da Global Climate and Environment Strategy.

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