Investimento em energia foge de Portugal. Espanha aproveita!
18 mai. 2026
Portugal está mais protegido face a choques energéticos, devido às renováveis, mas continua vulnerável à volatilidade internacional e a bloqueios internos que travam o investimento. Líderes do setor destacam burocracia e instabilidade regulatória numa altura em que o país depende 65% de fontes externas.
Num contexto internacional marcado por novas tensões geopolíticas e incerteza nos mercados energéticos, o setor da energia em Portugal procura afirmar-se como um fator de estabilidade. No painel “Energia contra crises”, realizado na Conferência “Transição Energética” organizada pelo Jornal Económico vários responsáveis do setor defenderam que o país está hoje mais preparado para enfrentar choques externos — mas alertaram para fragilidades estruturais que continuam por resolver.
Mais renováveis, mais proteção, mas não independência
A evolução do mix energético nacional foi um dos pontos de partida da discussão. Vasco Vieira, Head of Regulatory Affairs, Markets and Settlement da Iberdrola Renewables Portugal, traçou um retrato claro da situação atual: “Temos ainda cerca de 65% de dependência externa em termos de consumo energético, o que significa que continuamos expostos a choques internacionais, nomeadamente ao nível dos combustíveis fósseis.”
Ainda assim, o responsável sublinhou a mudança estrutural em curso. “Hoje estamos numa posição muito diferente da de há alguns anos. Quanto maior for a incorporação de energias renováveis no sistema, maior será a nossa proteção face à volatilidade externa”, afirmou. E concretizou: “Sempre que conseguimos produzir eletricidade a partir de fontes endógenas, estamos a reduzir a necessidade de importação e, consequentemente, a exposição ao risco.”
Hugo Pereira, CEO da Mota-Engil Energia, reforçou esta leitura, destacando o impacto direto das renováveis no preço da eletricidade. “Já vemos isso no dia a dia: em períodos com elevada produção renovável, os preços no mercado grossista descem de forma significativa”, disse. “Isto era impensável há alguns anos.”
Do choque de 2022 à resiliência atual
A crise energética desencadeada pela guerra na Ucrânia serviu como referência para medir a evolução do sistema. “Em 2022, tivemos de recorrer a mecanismos extraordinários para conter o preço do gás, que estava a contaminar todo o mercado elétrico”, recordou Hugo Pereira. “Hoje, com mais renováveis no sistema, o impacto de uma crise semelhante seria necessariamente menor.”
Também Vasco Vieira sublinhou esse ganho de resiliência: “Não estamos imunes, mas estamos claramente mais protegidos. O sistema é hoje mais diversificado e menos dependente de uma única fonte.”
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