Energia, dependência e o futuro de Portugal
12 mai. 2026
Numa altura em que o tema da energia voltou a dominar a atualidade internacional, torna-se impossível ignorar a forma como os conflitos geopolíticos continuam a influenciar diretamente a vida dos cidadãos. O aumento da instabilidade no Médio Oriente e as tensões em torno do Estreito de Ormuz vieram recordar ao mundo uma realidade muitas vezes esquecida. Basta bloquear uma das principais rotas marítimas para afetar economias inteiras, pressionar os preços e aumentar os custos para famílias e empresas.
Talvez por isso faça ainda mais sentido que, nos próximos dias 10 e 11 de maio, Portugal acolha, no Palácio de Mafra, a reunião da Comissão da Energia, Ambiente, Clima e Água da Assembleia Parlamentar da União para o Mediterrâneo, comissão que tenho a honra de presidir há 2 anos. Um Fórum mundial de 3 Continentes (Europa, Ásia e África).
O encontro reunirá representantes parlamentares dos Países Mediterrânicos e do Parlamento Europeu, precisamente num momento em que as questões energéticas deixaram de ser apenas uma preocupação ambiental para passarem a representar um tema central de soberania, estabilidade económica e segurança internacional.
O caso do Estreito de Ormuz é hoje um dos exemplos mais claros dessa vulnerabilidade global. Cerca de 20% do petróleo mundial passa por aquele corredor marítimo. Sempre que existe uma ameaça de bloqueio ou instabilidade, os mercados reagem imediatamente, os preços sobem e os efeitos fazem-se sentir em toda a cadeia económica.
Portugal não escapa a esta realidade. Apesar da forte aposta nacional nas energias renováveis, a nossa economia continua profundamente dependente de combustíveis fósseis em áreas essenciais como os transportes, a indústria e a logística. Continuamos a importar energia em larga escala e continuamos expostos às flutuações internacionais.
Existe, aliás, um paradoxo que importa reconhecer. Portugal produz atualmente uma grande percentagem da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, conseguindo até amortecer parte do impacto externo. Contudo, quando os preços internacionais disparam, os portugueses continuam a sentir diretamente esse aumento no custo dos combustíveis, da eletricidade, dos transportes e, inevitavelmente, do custo de vida.
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