Energia e talento: o mundo já mudou. Portugal já percebeu?
18 jun. 2026
O mais recente estudo da Colliers faz algo que raramente vemos nos debates públicos: fala do futuro em vez de discutir apenas o presente. E a conclusão é tão simples quanto desconfortável para muitos.Os grandes centros económicos da próxima década não serão definidos apenas pela dimensão dos mercados ou pela localização geográfica. Serão definidos pela capacidade de garantir energia, atrair talento e adaptar-se rapidamente à nova economia dominada pela inteligência artificial. A boa notícia é que Portugal está mais bem posicionado do que muitos imaginam. Temos energia renovável, estabilidade, universidades de qualidade, uma localização estratégica e uma qualidade de vida que continua a atrair profissionais de todo o mundo. Enquanto muitos países europeus enfrentam crescentes dificuldades energéticas, Portugal possui recursos que começam a ser vistos como ativos estratégicos. E quando os maiores investidores globais procuram locais para instalar data centers, operações tecnológicas ou infraestruturas ligadas à inteligência artificial, a energia deixou de ser um detalhe. Passou a ser um fator decisivo. Mas existe um problema tipicamente português. Temos uma enorme capacidade para identificar oportunidades e uma capacidade muito menor para as executar. Enquanto o mundo acelera, nós continuamos muitas vezes presos a burocracias, processos lentos e discussões intermináveis. Enquanto outros países competem agressivamente por talento, investimento e inovação, continuamos a acreditar que o potencial por si só chega para ganhar. Não chega.
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