Portugal está entre mercados mais competitivos para centros de dados
18 ago. 2026
Portugal está entre os mercados europeus mais competitivos para instalar centros de dados, beneficiando da energia renovável, conectividade internacional e espaço disponível, numa altura em que a Inteligência Artificial (IA) aumenta a pressão sobre as infraestruturas.
O relatório "Data Centers em Portugal 2026", divulgado hoje pela consultora JLL, concluiu que as restrições de energia, capacidade da rede elétrica e a oferta de terrenos nos principais mercados europeus estão a levar promotores e fornecedores de serviços 'cloud' a procurar novas localizações para os centros de dados. A IA deverá representar cerca de metade de toda a capacidade global dos centros de dados até 2030, segundo a JLL, que salienta uma mudança na localização dos novos projetos. Os novos campus 'hyperscale' previstos para entrar em operação na Europa entre 2026 e 2028 localizam-se, em média, a 175 quilómetros dos principais 'hubs' europeus, contra uma distância média de 46 quilómetros nos projetos concluídos entre 2022 e 2025. Neste contexto, Portugal surge como um dos mercados secundários com maior capacidade para beneficiar desta tendência, devido à combinação entre energia, localização geográfica, conectividade e disponibilidade de espaço. A consultora destacou que os mercados capazes de garantir ligações à rede em grande escala, previsibilidade regulatória e terrenos adequados, como Portugal, deverão captar uma parcela crescente do investimento futuro no setor. O relatório salienta que mais de 80% da eletricidade produzida em Portugal tem origem em fontes renováveis, enquanto os dados da REN indicam que as renováveis asseguraram 68% do consumo nacional de eletricidade em 2025. Além disso, Portugal foi também exportador líquido de energia em 2016, 2017 e 2018, uma característica que a consultora considera relevante num contexto em que o acesso à eletricidade tornou-se um dos principais fatores de competitividade para a instalação de infraestruturas de IA. A posição geográfica do país é reforçada pela existência de vários cabos submarinos intercontinentais, entre os quais o 2Africa, com 45.000 quilómetros e ligação a 33 países, que chegou a Carcavelos em 2024. A conectividade deverá ser reforçada a partir de 2027 com o cabo Nuvem, da Google, que deverá ligar Portugal aos Estados Unidos.
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