Portugal tem energia para data centers. Mas ele terá uma rede para conectá-los?

28 jul. 2026

Portugal tem energia para data centers. Mas ele terá uma rede para conectá-los?

Por muito tempo, quando se falava em data centers, a discussão se concentrou principalmente na localização, no preço da terra, na proximidade de cabos submarinos e na estabilidade política.

Hoje, a equação mudou. A inteligência artificial, a computação em nuvem e o crescimento exponencial do volume de dados fizeram da energia o principal critério de decisão. Não basta mais ter espaço para construir. É necessário garantir eletricidade confiável, competitiva, escalável e disponível no momento em que o investimento deseja avançar.

O estudo Global Data Center Trends 2026 da CBRE deixa essa realidade muito clara. A capacidade instalada continua crescendo em várias regiões do mundo, mas a demanda está aumentando ainda mais rápido. Na Europa, os estoques dos quatro maiores mercados, Londres, Frankfurt, Paris e Amsterdã, cresceram 19% no primeiro trimestre. Ainda assim, as operadoras continuam procurando novos locais capazes de fornecer energia e capacidade de expansão. De acordo com a CBRE, os mercados europeus mais bem posicionados serão aqueles que podem oferecer eletricidade a preços competitivos, em escala e com condições reais de construção.

Portugal parece reunir quase todos os argumentos necessários. Temos uma produção renovável crescente, uma posição atlântica privilegiada, cabos submarinos, estabilidade, projetos terrestres e de grande escala já anunciados, especialmente em Sines. Também temos uma rara oportunidade de conectar energia limpa, infraestrutura digital e investimento internacional em uma nova plataforma econômica. Mas há uma diferença decisiva entre produzir energia e ser capaz de entregá-la.

 

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