Portugal transformou necessidade em vantagem competitiva na energia
13 jul. 2026
Na opinião de João Galamba, “Portugal fez as escolhas certas, no momento certo”, mas alertou que hoje tem de olhar menos para a geração como driver da política energética e mais para a utilização de energia como a nossa grande prioridade na eletrificação.
“Portugal ficou sempre atrasado na industrialização porque nunca teve energia barata e abundante”, recordou António Coutinho, presidente da Associação Portuguesa da Energia (APE), no painel “Portugal e a Transição Energética Europeia”, inserido na conferência de encerramento da quarta edição da Electric Summit, que contou com a participação de Maria José Clara, presidente da Associação Portuguesa de Economia da Energia (APEEN), João Galamba, consultor da Enline Energy Solutions, António Coutinho, e Paulo Moutinho, editor executivo do Negócios, que moderou o debate. Referiu que os saltos da indústria ocorreram com a energia abundante e barata nos anos 50, com a introdução do programa de barragens, e depois com a introdução do gás natural. Mas são as renováveis a oportunidade de “produzir energia em quantidade sustentável”, sublinhando que numa década o seu preço baixou 90% e no armazenamento já baixou 70%, 30% só no ano passado.
"Portugal ficou sempre atrasado na industrialização porque nunca teve energia barata e abundante." António Coutinho, Presidente da Associação Portuguesa da Energia
Esta aposta em 2005 nas energias renováveis permitiu que Portugal atravessasse praticamente incólume as duas grandes crises energéticas recentes. Quando o gás disparou para os 300 euros por megawatt-hora após 2022, o país, por depender pouco desse combustível na eletricidade, escapou ao choque de preços sentido no resto da Europa, e o mesmo aconteceu este ano, em fevereiro de 2026, com o encerramento do Estreito de Ormuz.
Portugal fez as escolhas certas, no momento certo. João Galamba, Consultor da Enline Energy Solutions
Relativamente ao facto de Portugal ter sido early adopter de tecnologias renováveis, o que terá tido os seus custos, João Galamba, consultor da Enline Energy Solutions e que foi ministro da Energia, defendeu que estes foram, no essencial, um mito. “Quando se apostou na eólica, criou-se também uma indústria associada de instaladores, de engenheiros, de previsão, ou seja, de saber operar um sistema elétrico com percentagens crescentes de eólico, que trouxe grandes ganhos para o país. E apostámos no solar, quando já era uma tecnologia madura e relativamente barata”, referiu João Galamba.
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