A transição energética tem que ser um transição justa, avisa a AIE
12 mai. 2026
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Portugal enfrenta altos níveis de pobreza energética, exigindo que o Estado apoie famílias vulneráveis na electrificação e requalifique trabalhadores de sectores fósseis para garantir justiça social.
O documento sublinha que, “para manter a aceitação social da transição energética, é necessário garantir que as vantagens da energia limpa, eficiente e a preços acessíveis estejam ao alcance de todos.” O ponto de partida é preocupante: a pobreza energética em Portugal situa-se bastante acima da média europeia, criando barreiras financeiras e estruturais que impedem muitas famílias de participar activamente na mudança — seja na adopção de soluções mais eficientes nas suas habitações, seja no acesso a formas de mobilidade mais limpas. Esta realidade torna ainda mais urgente resolver uma contradição que o relatório da AIE expõe com clareza: “em termos de energia final, a electricidade continua a ser mais cara do que o gás, principalmente devido a taxas não relacionadas com a energia nem com a rede.” Ou seja, enquanto a electrificação é apontada como a principal via de descarbonização, as facturas de electricidade continuam sobrecarregadas por encargos que desincentivam precisamente essa escolha — penalizando de forma desproporcionada as famílias com menos recursos. Proteger famílias mais vulneráveis Para corrigir esta trajectória, a AIE considera fundamental que os apoios públicos capacitem os agregados de menores rendimentos a aceder a renovações profundas das habitações, sistemas de aquecimento limpos, painéis fotovoltaicos, veículos eléctricos e transportes públicos a preços acessíveis.
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