Será que Portugal poderia armazenar energia no subsolo?

21 set. 2026

Será que Portugal poderia armazenar energia no subsolo?

Cientistas portugueses estão a procurar, debaixo dos nossos pés, uma possível resposta para um dos maiores problemas das energias renováveis: o que fazer com a eletricidade quando se produz mais do que a rede necessita.

Investigadores da Universidade NOVA de Lisboa e da Universidade de Lisboa têm vindo a estudar se as rochas porosas nas profundezas do subsolo poderão ser utilizadas para armazenar o excedente de eletricidade renovável sob a forma de ar comprimido.

No cenário mais favorável que modelaram, um único reservatório subterrâneo poderia armazenar até 1 TWh de energia, o suficiente para se aproximar do consumo de algumas cidades portuguesas de média dimensão.

A ideia parece futurista, mas o armazenamento de energia por ar comprimido já existe sob várias formas desde a década de 1970. O que a investigação portuguesa explora é como isso poderia funcionar no interior de formações rochosas naturalmente porosas a uma profundidade considerável.

 

Como funciona?

Quando as turbinas eólicas ou os painéis solares produzem mais eletricidade do que a necessária de imediato, esse excedente de energia poderia ser utilizado para acionar compressores.

O ar seria então empurrado para o interior de um poço, potencialmente a centenas ou mesmo milhares de metros abaixo do solo, para os minúsculos espaços que existem naturalmente entre os grãos de rocha porosa.

Esses espaços contêm normalmente água salgada, imprópria para consumo. O ar comprimido desloca a água e fica retido no subsolo sob pressão.

Quando a eletricidade for novamente necessária, o processo é invertido. O ar comprimido é trazido de volta para a superfície, onde a sua expansão pode acionar turbinas e gerar eletricidade. Não é necessário queimar combustível neste processo.

 

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