A guerra, a energia e a onerosa dependência da Europa

14 abr. 2026

A guerra, a energia e a onerosa dependência da Europa

O Pacto Ecológico Europeu oferece um caminho para um sistema energético que não é apenas de baixo carbono, mas também estruturalmente mais estável e politicamente mais autónomo. Enfraquecê-lo agora não seria pragmático, seria falta de visão.

Imagine que a guerra atual, envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão, se desenrolava num sistema energético diferente. Não num futuro distante ou utópico, mas num futuro plausível: um mundo onde a eletricidade é gerada predominantemente a partir de energia eólica e solar, onde o transporte é largamente eletrificado e onde a energia é produzida maioritariamente dentro das fronteiras nacionais ou regionais.

Num sistema assim, uma escalada militar no Médio Oriente continuaria a ser uma crise geopolítica, mas as suas ondas de choque económicas seriam significativamente contidas. Os preços da eletricidade e da gasolina por toda a Europa seriam pouco afetados. E a fatura energética das famílias não dispararia devido às tensões num estreito corredor marítimo a milhares de quilómetros de distância.

Isto não é uma conjetura. Numa análise recente publicada em “The Conversation”, investigadores do King’s College London modelaram precisamente esse cenário. A sua conclusão é inequívoca: num sistema altamente eletrificado e maioritariamente assente em energias renováveis, a perturbação causada pelo conflito no Golfo seria drasticamente reduzida. O mecanismo de transmissão automática, desde a instabilidade no estreito de Ormuz até aos choques de preços nas economias europeias, seria drasticamente menor. No entanto, não é esse o mundo em que vivemos.

Poucos dias depois dos primeiros ataques, os preços do petróleo dispararam quase 20%, passando de cerca de 70 dólares por barril para mais de 100 dólares, tendo-se aproximado dos 110 dólares (cerca de 95 euros). A explicação é bem conhecida: cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo ainda passa pelo estreito de Ormuz. Quando as tensões aumentam, os mercados globais reagem instantaneamente, indiferentes à mensagem política transmitida por Washington, por mais confiante (ou teatral) que esta seja.

 

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