Apagão não travou confiança dos portugueses na transição energética, revela estudo

30 dez. 2025

Apagão não travou confiança dos portugueses na transição energética, revela estudo

Apesar do apagão geral que afectou a Península Ibérica a 28 de Abril de 2025, a grande maioria dos portugueses mantém um forte apoio à transição energética e à aposta nas energias renováveis. Esta é a principal conclusão de um estudo promovido pela representação portuguesa da Fundação Friedrich Ebert e conduzido pelo investigador Miguel Macias Sequeira. 

O inquérito, realizado online em Junho de 2025 junto de uma amostra representativa, avaliou o impacto do apagão — que deixou cerca de 60 milhões de cidadãos sem electricidade na Península Ibérica e demorou quase 12 horas a ser totalmente resolvido em Portugal — nas percepções da população sobre o sistema energético e as políticas climáticas. Os resultados permitiram também uma comparação com um estudo semelhante, conduzido por Luísa Schmidt, Ana Horta e João Guerra e realizado em 2023. 

Face ao apagão de Abril de 2025, os resultados mostram que 97% dos inquiridos defendem a continuação da aposta em energias renováveis e 94% apoiam a estratégia de transição energética actualmente em curso. Mais de 70% concordam com medidas estruturais como a instalação de baterias eléctricas, o reforço das interligações europeias e a electrificação dos consumos. 

Ao nível da comunicação e da confiança institucional no âmbito do apagão, os inquiridos apontam uma forte presença de desinformação nas redes sociais (85%), contrastando com uma maior confiança nos meios de comunicação tradicionais (64%). A gestão do apagão foi avaliada de forma geralmente positiva, com reconhecimento do trabalho dos operadores da rede eléctrica (80%) e da actuação das autoridades (66%). No entanto, 74% consideram que faltaram explicações claras e 67% afirmaram mesmo que as verdadeiras causas do apagão foram escondidas. Persistem também receios de novos apagões (82%) e a constatação da falta de preparação da sociedade face a estes fenómenos (86%).

O estudo revela também uma diminuição da importância atribuída às questões ambientais entre 2023 e 2025 (de 33% para 26%), num contexto em que saúde, habitação, emprego e educação continuam a dominar as prioridades referidas pelos portugueses e temas como a criminalidade e migração ganharam maior peso. Apesar disso, a maioria das medidas de transição energética mantém avaliações francamente positivas (mais de 80% de concordância), embora com uma ligeira tendência geral de quebra do apoio. Ainda assim, após o apagão, 50 a 60% dos inquiridos revelaram que o seu interesse em autoconsumo de energia solar, baterias eléctricas e comunidades de energia renovável aumentou. 

 

Continuar a leitura em Edifícios Energia

Partilhar:
Está a usar um navegador desatualizado. Por favor, atualize o seu navegador para melhorar a sua experiência de navegação.