APREN aponta Estado como maior bloqueio ao investimento em renováveis
9 jun. 2026
Ricardo Jesus sustentou que as renováveis devem ser vistas como resposta económica, industrial e geopolítica, e não apenas climática, porque cada megawatt renovável instalado em Portugal reduz importações, exposição a choques externos e dependência energética.A APREN defendeu esta terça-feira no parlamento que o Estado é atualmente o principal bloqueio ao investimento em energias renováveis, apontando atrasos no licenciamento, falta de capacidade das redes e instabilidade regulatória. Na Comissão de Ambiente e Energia, numa audição requerida pela Iniciativa Liberal, o vice-presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), Ricardo Jesus, afirmou que a atual pressão sobre os preços mostra que a aposta nas renováveis "não é só uma questão de política ambiental", mas também de "soberania, segurança económica e independência estratégica". "Sempre que há uma crise internacional, Portugal volta a descobrir a vulnerabilidade de depender de combustíveis fósseis importados", disse na intervenção inicial, defendendo que a melhor proteção estrutural contra essa volatilidade é produzir mais energia "limpa, renovável e nacional". Ricardo Jesus sustentou que as renováveis devem ser vistas como resposta económica, industrial e geopolítica, e não apenas climática, porque cada megawatt renovável instalado em Portugal reduz importações, exposição a choques externos e dependência energética. Segundo os dados apresentados pela APREN, a dependência energética nacional caiu de 74% para 64% entre 2010 e 2024, tendo as renováveis permitido evitar cerca de três mil milhões de euros em importações em 2024. O responsável considerou, porém, que Portugal enfrenta um paradoxo: precisa de mais renováveis para reduzir a exposição aos combustíveis fósseis, mas o desenho atual do mercado elétrico, "puramente marginalista", não garante sinais suficientes para captar investimento.
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