Empresas precisam de olhar para a energia de forma estratégica

9 mar. 2026

Empresas precisam de olhar para a energia de forma estratégica

Empresas devem "perceber a sua exposição real aos custos energéticos, investir em eficiência energética, reduzir desperdícios e apostar em soluções que tragam maior autonomia e previsibilidade", de modo a estarem mais bem preparadas a lidar com choques externos, como o gerado pelo conflito no Médio Oriente.

As empresas têm de começar a olhar para a energia de forma estratégica, de modo a estarem melhor preparadas para choques externos como os que advêm do conflito no Médio Oriente, defende Luís Pinho, country director da Helexia Portugal.

 

Como? Isto significa "perceber a sua exposição real aos custos energéticos, investir em eficiência energética, reduzir desperdícios e apostar em soluções que tragam maior autonomia e previsibilidade".

Em entrevista ao Notícias ao Minuto, Luís Pinho explica que Portugal está hoje mais bem preparado do que no passado, em grande parte devido à aposta nas energias renováveis, mas admite que o país continua dependente da importação de petróleo e gás natural, "o que significa que choques globais continuam a ter impacto na economia".

Qual o impacto que a guerra no Médio Oriente pode ter no setor energético a curto e médio prazo?

No curto prazo, o efeito mais imediato é a volatilidade nos mercados energéticos. Sempre que existe instabilidade numa região crítica para a produção ou para as rotas de transporte de energia, os mercados tendem a reagir rapidamente, incorporando um chamado prémio de risco geopolítico. Isso reflete‑se, por exemplo, no preço do Brent, que continua a ser a principal referência internacional do petróleo, ou nos índices europeus de gás natural, como o TTF (Title Transfer Facility).

Mesmo sem uma interrupção física da produção, basta a percepção de risco para gerar pressão nos preços. Foi isso que vimos em vários momentos da história recente: durante a Primavera Árabe, em 2011, os receios sobre a produção no Norte de África e Médio Oriente levaram o Brent a subir para níveis próximos dos 125 dólares por barril; mais recentemente, a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, provocou uma escalada histórica nos preços do gás na Europa, com o TTF a atingir valores nunca vistos.

A médio prazo, se a instabilidade se prolongar, os impactos podem tornar‑se mais estruturais, com maior competição por recursos energéticos, custos mais elevados e uma previsibilidade muito reduzida para empresas e economias.

 

Continuar a leitura em Notícias ao Minuto

Partilhar:
Está a usar um navegador desatualizado. Por favor, atualize o seu navegador para melhorar a sua experiência de navegação.