O calor dos centros de dados é um recurso ainda por aproveitar em Portugal
26 out. 2026
A expansão dos centros de dados em Portugal está a colocar novas exigências aos sistemas de climatização e refrigeração. Para além de melhorar a eficiência dos equipamentos, o sector procura soluções para aproveitar o calor residual destas instalações, uma possibilidade que começa a dar os primeiros passos no país. Mas o crescimento destas infra-estruturas levanta também questões sobre o consumo de energia, o uso de água e os impactes ambientais. Esta foi uma das questões abordadas nas 26.as Jornadas de Climatização e Refrigeração, que decorreram, a semana passada, em Lisboa.O desenvolvimento de centros de dados, impulsionado pela digitalização e pela procura crescente de capacidade de computação para a inteligência artificial (IA), está a reforçar a importância dos sistemas de climatização e refrigeração. Aquela que é uma necessidade técnica pode também constituir uma oportunidade para aproveitar energia que, de outra forma, seria desperdiçada. Luís Pedro Duarte chama a atenção para a relação entre o consumo eléctrico destas instalações e as necessidades de arrefecimento. Nas instalações mais eficientes, explica, por cada megawatt de electricidade entregue à instalação, é gerado cerca de um megawatt de calor que é necessário rejeitar. “É aqui que entra o cooling, isto é, a climatização e o arrefecimento. O calor pode ser uma perda, mas pode acabar por ser um bom modelo de negócio”, afirma o presidente da Associação Portuguesa de Centros de Dados – Portugal DC, apontando para o potencial de recuperação e utilização deste calor noutras actividades. O líder da Portugal DC participava num painel dedicado ao papel dos centros de dados, no âmbito das 26.as Jornadas de Climatização e Refrigeração, organizadas pela Comissão de Especialização em Climatização e Refrigeração da Ordem dos Engenheiros, em colaboração com a secção nacional da Federação Europeia das Associações de Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado (REHVA, na sigla em inglês) e o capítulo português da Associação Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionado (ASHRAE). Com o tema “Climatização e Refrigeração na Transição Energética: Qualidade Ambiental Interior e Sustentabilidade”, o evento, que decorreu, na passada quinta-feira, no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, juntou cerca de uma centena de especialistas, investigadores, projetistas, fabricantes, instaladores, gestores de edifícios, e representantes da indústria em torno dos desafios e das oportunidades da transição energética.
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